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O Novo Pai


O NOVO PAI


Por: Nina Eiras Dias de Oliveira


Paralelamente as conquistas das mulheres em obter mais igualdade de direitos e oportunidades, os homens têm conquistado mais espaços legítimos na família e educação das crianças. Surge, cada vez mais, uma consciência maior por parte do pai da sua função na formação da personalidade dos filhos. Já não prevalece o mito de que o principal fator constituinte da personalidade é a relação da mãe com a criança e que a função do pai seria apenas a de proteger, facilitar, legislar e prover condições para esta relação. Criança precisa de pai e de mãe. Ambos são responsáveis por sua criação, formação e representação. O envolvimento do pai desde o nascimento da criança não só é possível mas, também, fundamental. Com a vinda de uma criança há, sempre, um casal que passa a ser pai e mãe. Alguns ocupam este papel com presença na vida da criança. Presença esta definida pela via do afeto caracterizada pela disponibilidade presente no vínculo, pelo envolvimento na relação e na representação do cuidado no cotidiano da criança. Outros definem seu papel pela ausência. Às vezes têm presença física mas ausência relacional. Estão fisicamente juntos, porém, em nenhum momento estão envolvidos com proximidade e desejo de compartilharem sua existência. Como o pai que chega em casa, se posta diante da TV, percorrendo com o controle remoto os noticiários . As crianças até podem ficar juntas, mas em silêncio. Quando o noticiário termina o pai já está atualizado em informações e conhecimentos, está na hora das crianças irem dormir. Esse tipo de ausência cria muitas carências nos filhos.
É importante para criança partilhar seu cotidiano com os pais e, neste, poder ver e sentir a visão de mundo deles, suas diferenças, seu dia-a-dia, sua maneira de ver o amor e a vida. O pai pode expressar carinho não só nos cuidados específicos (dar banho, comida) mas, também, mostrando que gosta de passar seu tempo com a criança, que sente falta de estar em estreito contato com ela.
Mais solto e livre de uma série de preconceitos, o pai moderno senta-se no chão com o pequeno para acompanhá-lo nas suas incursões pelo mundo da fantasia; promove lutas de boxe, cavalinho nos ombros, joga videogame... Brincar não é só diversão mas, também, uma excelente forma de conhecer os filhos, perceber seus desejos, ver como eles se comportam em diferentes situações. Isso permite conquistar uma intimidade e uma proximidade com os filhos que não acontece de uma hora para outra. Aquele que se mantém omisso, preocupado só em suprir o lado material, que só fala com os pequenos na hora de proibir, não vai conhecer os filhos tão bem quanto aquele que dá atenção e arranja tempo para brincar. Através desses encontros, o pai poderá passar conceitos, valores importantes para o filho, mostrar seus pontos de vista e opiniões, ouvir o filho, construindo assim, com abertura e disponibilidade, um diálogo franco, aberto e honesto. À medida que os filhos forem crescendo, haverá muito menos dificuldade para se falar de temas difíceis e polêmicos como sexo e drogas, por exemplo.


*Psicóloga existencial infantil, especialista clínica pelo CRP/RJ

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