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Profissão: professor(a)

Profissão: professor(a)

Escrever sobre o professor parece mais complexo do que se pode imaginar e, certamente a complexidade aumenta quando o parâmetro para a definição parte do princípio de que é aquele que tem o papel de ensinar. Neste verbo ensinar temos muitos pressupostos: em primeiro lugar está a concepção que este profissional do ensino tem uma identidade e nela sua opção pelo magistério; em segundo lugar que é um profissional que tem o papel de levar o conhecimento construído e herdado pela humanidade a todo cidadão e toda cidadã; em terceiro lugar é um profissional que não tem sido alvo de políticas públicas que valorizem sua escolha profissional e uma educação essencialmente de qualidade e, em quarto lugar, é um profissional que precisa investir continuamente em sua formação. Se se corrobora que é o profissional que tem o papel de ensinar, é preciso discorrer sobre cada um desses itens acima descritos. Se não o definimos poderemos refletir sobre os pressupostos que estão inerentes ao ser professor hoje. É o profissional cujo trabalho é a docência. Assim sendo, temos que destacar que o desenvolvimento de sua profissão passa necessariamente pelo processo de valorização identitária. Segundo Garrido e Anastasiou (2004) identidade que é ‘epistemológica’ porque reconhece a docência como um campo de conhecimento específico e é ‘profissional’ porque é justamente a docência um campo específico de intervenção na prática social. Ou seja, não é qualquer um que pode ser professor, mas somente aquele que opta por ser sujeito construtor de conhecimento e se propõe a intervir em todas as nuances possíveis da educação. Como? Confrontado suas ações cotidianas com suas produções teóricas e revendo suas práticas e teorias. O contrário seria apenas um executor de programas de conteúdos estabelecidos e ou “copiador” de livros didáticos. Sendo o profissional que tem o papel de oportunizar o acesso ao conhecimento, é aquele que através de diagnósticos, de leituras e revisões constrói o conteúdo que será elaborado e re - elaborado pelos seus alunos. Ensinando a partir da realidade do seu grupo tem condições de ser o intelectual orgânico (Gramsci, 1987) da comunidade que está inserido. E como intelectual conceberá o conhecimento do conteúdo, como cultura. Para que possa ser a referência na luta por uma educação de qualidade, que proporcione o desenvolvimento cognitivo de crianças, adolescentes, jovens e adultos, o professor precisa ter condições de trabalho, de gestão e de valorização salarial. Precisam ser valorizados como profissionais em seus saberes específicos, com formação inicial de qualidade e políticas e espaços de formação continuada. O que significa isto? Manter-se atualizado em relação às novas teorias, às novas tecnologias e aos novos avanços científicos – artísticos e culturais da sociedade. Sendo a universidade um dos centros de produção do conhecimento, que se configura na ciência, na tecnologia e na cultura, seu papel é de promover o avanço do saber e do saber fazer, o que podemos concluir que além da construção do conhecimento, há também a orientação sobre como se dará esta construção. Através de propostas extensionistas a universidade e os centros de formação serão a ponte entre a educação básica e a formação dos professores na organização de eventos reflexivos sobre a prática pedagógica. Há que se considerar, entretanto, que cada professor além de exigir das instituições formadoras este investimento de vê participar assiduidamente com o objetivo e rever a própria prática. Certamente não cabe mais definir o ser professor com tons de que é aquele que tem a missão de ensinar ou ainda de que só pode ser professor aquele que é vocacionado para tal, mas aquele que por opção e ou por oportunidade “abraça” fazer a diferença onde está inserido profissionalmente. Superando as possíveis pieguices que “giram” em torno do ser professor podemos concluir que o resgate da sua profissão, de sua identidade e de um ensino de qualidade, conseqüentemente, deve constituir-se luta de todos os seguimentos da sociedade: desde a família, a escola e as políticas públicas municipais, estatais e federais.
Autora: Arlete Vieira da Silva,
Educadora de curso de formação de educadores da Universidade Estadual de Santa Cruz – Ilhéus, BA;Mestre em Ciências da Educação pela UFPel, Pelotas, RS.
Endereço eletrônico: arlete@uesc.br

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